E a política, pá?…e a política, pá?

E a política, pá?…e a política, pá?

Quando o Pedro Magalhães Ribeiro nos inquietou com a pergunta numa das últimas reuniões da comissão política da federação estava a referir-se ao presente mas, como quase sempre, a prever o futuro! E a política, pá?

Nos últimos dias a direita rejubila, dá gargalhadas, retwita, partilha, gosta e curte… tecla e tecla sobre a forma a forma e só a forma, certamente com o desejo secreto que a forma faça esquecer a substância. Não, estão enganados! No final do dia é sempre a política, as políticas, é sempre o conteúdo que faz pular e saltar o mundo, que o faz avançar.

Entretidos sobre uma má, dizem eles, tradução de “salário mínimo para todos os europeus” e “salário mínimo europeu” devem ter a esperança que as pessoas se esqueçam que para o salário mínimo eles tinham uma proposta: baixar! (aquela lógica de empobrecimento expancionista que teve os resultados conhecidos)

Há um principio de dignidade humana e valorização do trabalho quando se defende um salário mínimo para todos e europeu. São as pessoas no centro das propostas e o projecto da União como referência! A tradução pode não ser a correcta, mas a política é! E a direita o que quer para além de o baixar?

Entretidos numa foto de um cumprimento de Pedro Marques a uma mulher, já com idade para não ser considerada jovem, perdem-se em considerações sobre a senhora, sobre a cor do cabelo sobre isto e aquilo, tentando assim relativizar a mensagem sobre a participação dos jovens e os efeitos que ele teve no Brexit. Tudo é imagem, tudo é supérfluo para esta gente! Ácidos, arrogantes e com uma superioridade de quem nunca se engana e raramente têm dúvidas (onde é que eu já li isto?), julgam atingir o Pedro Marques e o Partido Socialista e que isso lhes dará mais votos e mais legitimidade democrática. Estão redondamente enganados, com esta táctica apenas atingem a essência da democracia: a participação das pessoas! Acham porventura que algum jovem, ou menos jovem, considera participar, dizer ou escrever alguma ideia ou opinião se a reação é, sempre, esta?

Dois exemplos…de que é mesma a política! Dignidade humana, valorização do trabalho e, participação para decidir e ser parte (a tal da inclusão, o sonho europeu lembram-se dele?)

Temos os que são eficaz nos cliques e nas fotos, perfeitos na forma vazios no conteúdo e, temos os que aparentemente são desajeitados na forma mas convictos nos ideiais e no projecto!

Ainda faltam uns dias para as eleições europeias, mas podem deste já escolher…isto não vai mudar. Aqui como se sabe o que se quer, discute-se políticas! E já que estamos em Abril…nunca imaginei Salgueiro Maia preocupado com a foto quando estava em frente às chaimites! Deveremos nós agora preocuparmo-nos?

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rebuild…

… poderosa esta mensagem de Obama que merece ser interpretada não só pela tragédia de Notre-Dame mas também pela degradação dos estados enquanto redistribuidores de riqueza e geradores da igualdade de oportunidades, a Europa foi sempre exemplo disso para o mundo, haja capacidade de reconstruir esse amanhã, de instantes plenos e perfeitos de vida multiplicada e brilhante como Sophia nos prometeu.

“It’s in our nature to mourn when we see history lost – but it’s also in our nature to rebuild for tomorrow, as strong as we can.” B. Obama

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Pontes & Muros (15 de Abril)

Já todos sabemos que os caminhos para as eleições são percursos intensos. Não podemos é continuar a focar a intensidade no grito e pior que isso, na mentira! 

Obviamente a disputa é entre seres humanos, homens e mulheres que sentem, que reagem (cada vez mais) e agem (cada vez menos)…mas a razão, que deve resultar sempre da convicção de cada um, tem de ser afirmada dentro da cordialidade e boa educação que o respeito democrático merece. Estamos em Abril e honrar Abril é respeitar as pessoas, incluindo os adversários deste ou daquele momento.

Há um sério problema de participação, de 1976 a 2017 a abstenção cresceu para níveis próximos do limite da legitimidade democrática e de representação. 

Confesso-vos que não conheço soluções mágicas para este problema altamente complexo, aliais não há soluções simples para problemas complexos mas sei bem que não é aos gritos, nem com linguagem brejeira e ordinária, muito menos com recurso, permanente, à mentira que se motivam as pessoas a participar. 

Não, não somos todos iguais, há-os que defendem o publico como redestribuidor de riqueza e gerador de igualdades de oportunidades e há-os que apenas querem desmantelar o estado e acumular a riqueza. Não é a única, mas a diferença essencial entre esquerda e direita é esta. 

Há demasiadas agendas ocultas no debate publico, dos interesses económicos aos corporativos e sempre com protagonistas disponíveis para as defender, a vós peço-vos atenção máxima, ao que ouvem,  ao que veem, e analise critica ao que parece que é mas pode não ser. 

Peço-vos enfim reflexão própria e não baseada em imediatismo… e decisão em consciência!

Tal como José Régio, “não sei por onde vou, não sei para onde vou – sei que não por ai!” Eu participo e tu?

Até para a semana, sempre a derrubar muros e a construir pontes!

(rascunho)