Setembro 2016

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Gosto de portas, especialmente das velhas, mas gosto de todas as portas sejam elas reais ou virtuais. Elas abrem-nos os horizontes, servem para receber quem gostamos, para entrar energia e ar fresco.

Quando somos pequenos parecem-nos gigantes, uma barreira entre o nosso mundo e o mundo, conforme vamos crescendo elas ficam mais pequenas e de barreira passam a ponte de ligação ao mundo.

Gosto de portas e da segurança que elas nos dão, das histórias que guardam, da sinceridade da relação que mantêm connosco, bem tratadas não falham, mal tratadas rangem e perturbam-nos o descanso, as entradas e saídas discretas, mal tratadas empenam, dificultam o fecho e a normal  passagem por elas.

Gosto de portas porque elas não conseguem fingir, são o que são, umas acessíveis, outras não. Gosto de portas por elas nos permitem comparações com o quotiano da vida pessoal, profissional e cívica.

Gosto das portas que ja fechei, dos ciclos que terminei, das memórias e das histórias que elas guardam. Gosto dos momentos em que a olhar para as portas imagino as vidas que elas acompanharam, os segredos e memórias que guardam, perco-me na imaginação com histórias de velhos, novos, dos momentos de carinho em que foram fechadas docemente, das exaltações que as indelicadamente bateram, dos encontros em reencontros que permitiram.

Através das portas fechadas, entreabertas e abertas irei escrever as minhas crónicas no Rede Regional, abrindo aquelas que o devem ser e fechando aquelas que provavelmente nunca deviam ter estado abertas.

Hoje abro esta porta, fechando até ao final desde ciclo 2013/2017 todas aquelas que venho abrindo desde 1993/1997. Para tudo na vida há um momento, aproveitei os que me deixaram, lamento os que não tive oportunidade de concretizar, mas não me arrependo de nenhum.

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