Pontes & Muros (29 de Maio)

Fantástico.. “estar aqui é fantástico” foi a melhor descrição (na medida que é miserável) que Trump encontrou para classificar a sua visita ao Museu do Holocausto!
Fantástico é Portugal estar na moda, isso sim! 

Fantástico tem sido o ultimo ano para a moral dos portugueses e para a esperança num futuro, efectivamente, melhor.

Dia a dia renovamos e aumentamos a nossa capacidade de voltar a sonhar num mundo melhor, a começar pelo nosso mundo…aquele que vivemos todos os dias com a nossa gente nas nossas aldeias!

Uma visita ao Museu do Holocausto é tudo menos um momento fantástico!

Fantástico era o Grupo das sete economias mais desenvolvidas do mundo terem chegado a acordo sobre os Acordos de Paris e as medidas de combate e prevenção das alterações climáticas!

Fantástico era a boa onda de Portugal, incluindo a da Nazaré, contagiar o líder da maior (e eventualmente única) grande potência do mundo, com energia positiva.

Negar a história é apenas estupidez! Negar a ciência é burrice! Governar pelo Twitter é conduzir-nos à III Guerra Mundial…Merkel disse que a partir de ontem deixamos de contar com Estados Unidos! Não foi um muro que construiu…foi a maior ponte de desenvolvimento do mundo que começou a ser desmantelada…a paz! 

Fantástico era Trump não nos destruir os sonhos! Fantástico é trabalhar para um futuro sem puxar (ou empurrar) pessoas para aparecer na foto! 

Fantástico é aprendermos e evoluirmos! 

Pontes & Muros (15 de Maio)

Que dias estes…que semanas estas, que ano este!

Campeonato Europeu de Futebol, António Guterres Secretário Geral da Organização das Nações Unidas, Web Summit em Lisboa, Porto o melhor destino europeu de 2017, um Presidente da República cheio de afectos para dar, um Primeiro Ministro optimista compulsivo, Lisboa como uma das cidades mais cool do mundo, Portugal como um dos destinos mais seguros do planeta, dois novos santos (Jacinta e Francisco), um tetra campeão pela primeira vez na sua, dele, história, o deficit mais baixo da democracia, a economia a crescer, o desemprego a baixar e numa relação nem sempre obvia, o emprego a aumentar e… para terminar este breve resumo do ultimo ano…o Salvador Sobral canta, e encanta, em português e, imagine-se…com simplicidade e genuinidade… ganha!

Enchemos o Santuário de fé, tranquilidade, querer e crer!

Enchemos o Marquês de Pombal (mais umas dezenas de rotundas por esse mundo) de alegria espontânea de quem alcança um feito único para os vencedores do Campeonato, Tetra Campeonato.

Enchemos o Aeroporto Humberto Delgado de gente que faz da sua língua a nossa pátria.

Enchemos os nossos corações de orgulho, esperança e confiança!

Uma nação valente só o é porque somos gente valente, verdadeiros proprietários do três efes, que não são do antigo regime, muito menos representam um qualquer homem, eles são do povo, são nossos final.

Talvez o verdadeiro terceiro segredo de Fátima seja mesmo o do povo valente, que querendo é o mais maravilhoso de todos os povos do mundo, hoje como sempre, conquistadores…damos mundo ao mundo!

Mais palavras apenas serviriam para criar ruído na construção da melhor ponte que podemos construir: pessoas a acreditar em pessoas!

Nuno Mário Antão

NMA | ALPIARÇA

Pontes & Muros (21 novembro)

É cada vez mais difícil perceber o mundo, é cada vez mais difícil perceber as pessoas…na era do virtual a realidade é tão brutal que o mundo escolheu como expressão do ano a “pós verdade” à qual permito-me acrescentar outra: ”verificação dos factos”.

Nunca como hoje tivemos acesso a tanta informação, nunca como hoje foi tão fácil controlar o fluxo de “verdades” que chegam às pessoas.

Nunca como hoje tão poucos condicionaram tantos… durante tanto tempo, somos cada vez mais controlados e apercebendo-nos disso…nada fazemos, resignamo-nos e esperamos que seja um qualquer vizinho nosso a preocupar-se com as coisas.

Hoje é simples verificar os factos, confirmar a verdade, ver, ouvir, reflectir e formular opinião…mas sendo simples… é cada vez mais fácil deixarmos para os outros estes exercícios, resignados à velocidade do dia-a-dia não temos tempo para mais… mesmo não deixando de nos surpreender e desiludir com os resultados finais…uma vez, duas vezes, outra e mais outra vez…deixamos sempre para os outros a verificação dos factos, a formulação de opinião e o poder da decisão.

“pós-verdade” é um adjectivo que se aplica à circunstância em que os factos objectivos são menos importantes na formação da opinião pública do que os apelos do foro emocional”, entretemo-nos hoje tanto com as estórias que esquecemos a história…ouvir um português a defender a saída da Inglaterra da União Europeia porque é preciso travar a livre circulação de pessoas, ouvir um português a defender a construção de um muro para impedir a entrada de imigrantes no Estados Unidos…são provavelmente a melhor forma que encontro de definir a “pós-verdade” em que vivemos!

Estaria aquele português na Inglaterra se a livre circulação de cidadãos europeus não existisse? Estaria aquele português nos Estados Unidos se a política de imigração americana fosse fechar as portas? A verdade, pura, dura e cruel… é que não estavam, a verdade, pura, dura e cruel é que são emigrantes…que tiveram uma oportunidade que não querem dar aos outros!

Provavelmente, com todos os “pós-verdades”, “verificação de factos”, e “freios e contrapesos”, nunca Brecht teve tanta razão, ainda que com outro enquadramento histórico.

Primeiro levaram os negros

Mas não me importei com isso

Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários

Mas não me importei com isso

Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis

Mas não me importei com isso

Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados

Mas como tenho emprego

Também não me importei

Agora levam-me a mim

Mas já é tarde

Como eu não me importei com ninguém

Ninguém se importa comigo

Com ele termino…importando-me, inquietando-me!

Até para a semana com mais pontes e, menos, muros

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Pontes & Muros

Crónica desta semana…

Já depois de gravar um amigo sugeriu-me uma abordagem diferente e muito interessante, tanto que a partilho convosco.

“Gostei, acho que tinha mais impacto se desses o mote do tema com o exemplo de como seria a GNR se fosse gerida por uma associação. Imaginem quem… (o posto da GNR do seu concelho tem como presidente o Manuel do talho, a maioria dos militares são voluntários…) Não sei se me fiz entender…Fazer primeiro com que os ouvintes pensassem “isto seria impossível” e depois passar para a realidade dos bombeiros”