Pontes & Muros (6 de Agosto)

Vivemos e convivemos com eles, preparamos-no sempre o melhor que sabemos e podemos, sensibilizamos e prevenimos…mas invariavelmente temos de os combater. Irrompem ou nascem no nosso território sempre em fúria e queimam dezenas, centenas, milhares de hectares de floresta e zonas rurais…vivemos e convivemos com eles…mas eles inevitáveis podem ser minimizados.

Com um país, ainda, traumatizado com os terríveis incidentes de 2017, o que se pede aos decisores, representantes de todos nós…comandantes, autarcas e governantes é capacidade de reflexão, assertividade nas decisões, serenidade na acção e tranquilidade nas comunicações.

O que correu bem e, especialmente o que correu mal, deixo aos especialistas…mas há uma diferença que tem de ser assinalada…entre Sertã/Vila do Rei/Mação e Tomar/Abrantes/Constância…houve quem apenas agitou um cenário de pânico e caos e houve quem confiou nos operacionais e gerou confiança…houve que estivesse preocupado em encontrar um culpado e houve que se concentrou em criar todas e as melhor condições de combate aos incêndios.

Não há combate a incêndios de esquerda ou de direita, há quem confie na preparação e trabalho e há quem desconfie de si próprio! 

Certo é num caso e no outro ardeu e ardeu demais, mas entre gerar o caos e confiar nos operacionais a solução passa sempre por confiar, por comunicar serenamente e por transmitir uma mensagem de esperança. 

Entre a estabilidade de uma ponte e a instabilidade de um muro…eu escolho sempre as pontes e vocês?

Boas férias se for esse o caso…Até para semana com mais pontes, menos muros!

(rascunho…)

Anúncios

Pontes & Muros (17 de Junho)

O mundo deu-nos a Malala e o sonho de mudar o mundo com uma criança, um professor, um livro e um lápis…” nós devolvemos com o Salvador Sobral e a capacidade de amar pelos dois… de sonhar por nós e por eles.

O mundo deu-nos Trump e Bolsonaro com a força bruta e o preconceito conhecidos, nós devolvemos com Guterres a tolerância e o poder da palavra, um enorme “nós” a contrapor com o “eu”.

O mundo deu-nos Greta Thunberg e a agenda do combate às alterações climáticas e nós devolvemos com Conan Osiris e o João Miguel Tavares… um parte as comunicações e outro aplica a pidesca formula do “nós e o eles”.

Na ultima década tivemos sempre a delicadeza de dar ao mundo o melhor de nós…a delicadeza do sonho, a tolerância da acção e foco no essencial, em 2019 desviámos o foco para o acessório, alinhámos o discurso populista e cedemos à demagogia fútil…subtraímos quando devíamos somar, falhámos e falhamos ao mundo e falhando ao mundo estamos a falhar às nossas gentes!

É neste cenário que a participação das pessoas, ou melhor o seu alheamento, é um enorme revés no combate e adaptação às alterações climáticas, estamos a ficar sem tempo e só a convergência e tolerância de Malala, Sobral, Greta e Guterres pode salvar a humanidade, é no exemplo delas e deles que nos temos de centrar, são pontes que temos de construir…com a esperança e confiança que elas abrem no futuro. Muros apenas aumenta a desconfiança e separam as pessoas.

Marcelo Rebelo de Sousa anunciou uma crise da direita portuguesa e fez questão de a demonstrar…se o melhor que a direita tem para dar ao país é um liberal elitista com um discurso separatista a crise de valores da direita não está para chegar…ela já ai está com claros prejuízos do país, incapazes de pensar o país apenas fomentam a guerrilha social, destroem tudo e não constroem nada.

E, por falar em construir…ou melhor, reconstruir.

Até para a semana com mais pontes, menos muros e a certeza que haverá em todos os concelhos de Portugal pelo menos uma estação dos CTT e a garantia do serviço universal postal acessível a todas e todos os portugueses.

Pontes & Muros (15 de Abril)

Já todos sabemos que os caminhos para as eleições são percursos intensos. Não podemos é continuar a focar a intensidade no grito e pior que isso, na mentira! 

Obviamente a disputa é entre seres humanos, homens e mulheres que sentem, que reagem (cada vez mais) e agem (cada vez menos)…mas a razão, que deve resultar sempre da convicção de cada um, tem de ser afirmada dentro da cordialidade e boa educação que o respeito democrático merece. Estamos em Abril e honrar Abril é respeitar as pessoas, incluindo os adversários deste ou daquele momento.

Há um sério problema de participação, de 1976 a 2017 a abstenção cresceu para níveis próximos do limite da legitimidade democrática e de representação. 

Confesso-vos que não conheço soluções mágicas para este problema altamente complexo, aliais não há soluções simples para problemas complexos mas sei bem que não é aos gritos, nem com linguagem brejeira e ordinária, muito menos com recurso, permanente, à mentira que se motivam as pessoas a participar. 

Não, não somos todos iguais, há-os que defendem o publico como redestribuidor de riqueza e gerador de igualdades de oportunidades e há-os que apenas querem desmantelar o estado e acumular a riqueza. Não é a única, mas a diferença essencial entre esquerda e direita é esta. 

Há demasiadas agendas ocultas no debate publico, dos interesses económicos aos corporativos e sempre com protagonistas disponíveis para as defender, a vós peço-vos atenção máxima, ao que ouvem,  ao que veem, e analise critica ao que parece que é mas pode não ser. 

Peço-vos enfim reflexão própria e não baseada em imediatismo… e decisão em consciência!

Tal como José Régio, “não sei por onde vou, não sei para onde vou – sei que não por ai!” Eu participo e tu?

Até para a semana, sempre a derrubar muros e a construir pontes!

(rascunho)

Ray-dee-oh

Hoje é dia dela! Por aqui vive-se intensamente a rádio. A emoção de ouvir, o nervosismo de participar e a paixão de colaborar.

Da primeira entrevista, no início dos anos 90, passando pelas noites eleitorais, pela divertida análise desportiva no Último Golo (na Rádio Marinhais) e mais recentemente pelos debates no Xeque Mate e já com mais de 140 crónicas semanais, Pontes & Muros, a rádio já faz parte de mim e a Rádio Iris, também, é a minha casa.

Bom dia Mundial da Rádio!

IMG_0942

Pontes & Muros (21 de Janeiro)

Não há forma de escapar ao estado das direitas portuguesas…uma semana inexplicável onde se baralhou tudo para…ficar tudo na mesma, discussões intermináveis sobre o dia, a hora, os convites, a forma de votar…substância? Nenhuma!! Apostaram tudo na forma e então?

A determinada altura chegaram a dizer-nos que tinham “acordado o gigante adormecido”… sabemos o que querem para a protecção social? Para a escola pública? Para o Serviço Nacional de Saúde? Não, Não e Não…mas acordado o gigante talvez se possa então alimenta-lo a “arroz com atum”!

A democracia será sempre uma obra inacabada, a nossa resiste às tentações populistas que triunfam na Europa e no Mundo…mas convém não abusar da paciência das pessoas! Recorde-se então Francisco Sá Carneiro: “A política sem risco é uma chatice e sem ética…é uma vergonha.” O risco não era certamente sobre a forma e a ética era mesmo ética, republicana, democrática! Esta semana foi sem risco e sem vergonha, espera-se então que recompostos desta intensa semana…digam ao que vem, como e porquê.

Entretanto à esquerda, decidiu-se que a avaliação das escolas passará a ter critérios de inclusão, afinal de contas a função das escolas…incluir e criar condições de igualdade de oportunidades. Andamos há anos a promover uma classificação por notas, selectiva, segregadora e inutil. 

Este será provavelmente o primeiro passo para prestigiarmos a escola em função da qualidade e não da quantidade…em paralelo precisamos agora que dignificar a função de ensinar. As e os professores são essenciais, fundamentais, para formarmos e educarmos as nossas crianças e jovens, construindo assim uma sociedade mais justa e igual. 

Títulos de jornal do tipo “alunos com piores notas a Português vão para professores” são apenas mais uma canalhice, quanto mais não seja porque as piores notas continuam a ser médias positivas e muitos deles escolhem o ensino por vocação…e não há notas nem médias para essa paixão.

(Este será um dos meus temas de 2019, a função de ensinar…porque sem ela jamais conseguiremos quebrar o ciclo de violência sobre as mulheres, crianças e idosos, um desígnio que não abandono)

Ontem a Administração Trump fez dois anos, já só faltam outros dois…ele insiste em construir um muro, por aqui teima-se nas pontes…até para a semana! Com novidades sobre novas travessias sobre o Tejo e as prioridades de investimento para Portugal 2030.

(rascunho)

1-2

Pontes & Muros (5 de Março)

O Tejo. O rio, a sobrevivência da fauna, flora e economias ribeirinhas são finalmente boa noticia, investimentos aos milhões, na recuperação do leito, no tratamentos dos dos resíduos e efluentes poluentes, na manutenção dos diques, administrações centrais, regionais e locais, públicas e privadas alinham vontades e aparentemente definem estratégias sequênciais e multinível e com vantagens para todos…é difícil de acreditar mas é fundamental que aconteça mesmo e de vez!

O mundo precisa, para Portugal é essencial para o Ribatejo urgente! O Tejo é a nossa maior porta de visita. Fartos de alcatrão e betão, haverá melhor porta turística que uma vinda para o Ribatejo de barco, Tejo acima, com mouchões, salgueiros, garças, fataças e outras bicharadas.

Geograficamente situados ao lado da capital mais cool da europa e do mundo, não podemos continuar a privar milhões e milhões de turistas do melhor que temos e com essa privação, condenar dezenas, centenas de aldeias e vilas ao abandono de populações, deprimindo o desenvolvimento e desiquibrando ainda mais o frágil desenvolvimento do país, cada vez mais litoralizado sem que isso corresponda a um aumento de qualidade de vida das pessoas.

Guterres em 1995 evocou uma paixão afirmada três vezes: educação, educação, educação, sem a qual não haveria futuro!

Em 2018 a paixão afirmada só pode ser interior, interior, interior! do território que nos permite fomentar coesão e das pessoas que nos permite ser melhor seres humanos!

Parece simples e, é simples! Basta querer! Eu quero, e tu?

Todas as guerras são estupidas, ainda que algumas delas possam aparentemente e pontualmente resolvam problemas, sempre os conjunturais os estruturais perduram há milénios e basicamente nos mesmos territórios e com os mesmo povos a sofrer!

Mas sendo todas as guerras estupidas, há umas mais estupidas que outras…em especial aquelas em que já apenas matam crianças e os mais velhos, desprotegidos por natureza, sofrem na Síria como nunca! E quando se pensa que há quem trabalhe na paz…eis que russos apenas querem manter a presença estratégica e equilibradora, no entender deles, na geopolítica mundial e os americanos… dão como exemplo de paz o armamento dos professores!

Há na vida um limite para tudo, para tudo excepto para a estupidez! Trump, Putin e al-Assad … são o exemplo prático e nem a melhor boa vontade de Macron consegue compensar o isolamento suicida de May e o jogos internos em que Merkel está entretida!

Resta-nos a voz de Guterres e dos movimento sociais. Manifestamente pouco, mas essenciais para não perdemos a noção humanitária no processo de decisão política.

Com mais pontes e menos muros. Para a semana cá nos encontraremos…a procurar mais soluções fora da caixa e menos dentro dos velhos modelos de funcionamento do país

Pontes & Muros (19 de Fevereiro)

alertava Antero de Quental, que “muitos mesmo quando se julgam muito progressistas, continuam a trazer dentro de si um fanático e um inquisidor”!

Este fim de semana, de Lisboa a capital mais cool do mundo, o mundo girou ao contrário… primeiro em Alvalade sob uma forte ovação, Bruno de Carvalho mandou às ortigas a liberdade de opinião, de expressão e de escolha…imagina-se o que acontecerá a quem não cumprir…depois na Junqueira…onde uma dirigente democraticamente eleita foi apupada, por num determinado contexto ter feito o que tinha de fazer, independentemente da preferência politico/partidária!

Palmas para a censura, apupos para a democracia…estamos mesmo em 2018? E no século XXI devo eu fazer mesmo que sportinguista e sociais democratas me dizem…que eu benfiquista e socialista não me devo incomodar?!?!

Não me devo incomodar?!?!? Era o que faltava, no dia em que nos deixarmos de inquietar com estes tiques absolutamente ditatoriais, inquietamo-nos com o quê? Ou esta gente acha que Aristides de Sousa Mendes também não se devia ter incomodado? Ou que Mandela e Gandhi não deviam ter resistido?

Incomodo-me sim, sempre! e livre desses fanatismos clubisticos e partidários usarei todos os meios ao meu alcança para os denunciar, combater e acabar com eles! Quantas vezes não se derruba um muros apenas tirando um tijolo?

Inquieto-me sim, sempre! e livres espero que façam o mesmo, que vão tirando tijolos para derrubar os muros e que os aproveitam para construir pontes…pontes de oportunidades, de igualdade e liberdade de oportunidades para todos, mesmo que eles sejam sportinguistas ou a Ilina Fraga.

Até para a semana, com mais pontes e menos muros.