Pontes & Muros (5 de Março)

O Tejo. O rio, a sobrevivência da fauna, flora e economias ribeirinhas são finalmente boa noticia, investimentos aos milhões, na recuperação do leito, no tratamentos dos dos resíduos e efluentes poluentes, na manutenção dos diques, administrações centrais, regionais e locais, públicas e privadas alinham vontades e aparentemente definem estratégias sequênciais e multinível e com vantagens para todos…é difícil de acreditar mas é fundamental que aconteça mesmo e de vez!

O mundo precisa, para Portugal é essencial para o Ribatejo urgente! O Tejo é a nossa maior porta de visita. Fartos de alcatrão e betão, haverá melhor porta turística que uma vinda para o Ribatejo de barco, Tejo acima, com mouchões, salgueiros, garças, fataças e outras bicharadas.

Geograficamente situados ao lado da capital mais cool da europa e do mundo, não podemos continuar a privar milhões e milhões de turistas do melhor que temos e com essa privação, condenar dezenas, centenas de aldeias e vilas ao abandono de populações, deprimindo o desenvolvimento e desiquibrando ainda mais o frágil desenvolvimento do país, cada vez mais litoralizado sem que isso corresponda a um aumento de qualidade de vida das pessoas.

Guterres em 1995 evocou uma paixão afirmada três vezes: educação, educação, educação, sem a qual não haveria futuro!

Em 2018 a paixão afirmada só pode ser interior, interior, interior! do território que nos permite fomentar coesão e das pessoas que nos permite ser melhor seres humanos!

Parece simples e, é simples! Basta querer! Eu quero, e tu?

Todas as guerras são estupidas, ainda que algumas delas possam aparentemente e pontualmente resolvam problemas, sempre os conjunturais os estruturais perduram há milénios e basicamente nos mesmos territórios e com os mesmo povos a sofrer!

Mas sendo todas as guerras estupidas, há umas mais estupidas que outras…em especial aquelas em que já apenas matam crianças e os mais velhos, desprotegidos por natureza, sofrem na Síria como nunca! E quando se pensa que há quem trabalhe na paz…eis que russos apenas querem manter a presença estratégica e equilibradora, no entender deles, na geopolítica mundial e os americanos… dão como exemplo de paz o armamento dos professores!

Há na vida um limite para tudo, para tudo excepto para a estupidez! Trump, Putin e al-Assad … são o exemplo prático e nem a melhor boa vontade de Macron consegue compensar o isolamento suicida de May e o jogos internos em que Merkel está entretida!

Resta-nos a voz de Guterres e dos movimento sociais. Manifestamente pouco, mas essenciais para não perdemos a noção humanitária no processo de decisão política.

Com mais pontes e menos muros. Para a semana cá nos encontraremos…a procurar mais soluções fora da caixa e menos dentro dos velhos modelos de funcionamento do país

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Pontes & Muros (19 de Fevereiro)

alertava Antero de Quental, que “muitos mesmo quando se julgam muito progressistas, continuam a trazer dentro de si um fanático e um inquisidor”!

Este fim de semana, de Lisboa a capital mais cool do mundo, o mundo girou ao contrário… primeiro em Alvalade sob uma forte ovação, Bruno de Carvalho mandou às ortigas a liberdade de opinião, de expressão e de escolha…imagina-se o que acontecerá a quem não cumprir…depois na Junqueira…onde uma dirigente democraticamente eleita foi apupada, por num determinado contexto ter feito o que tinha de fazer, independentemente da preferência politico/partidária!

Palmas para a censura, apupos para a democracia…estamos mesmo em 2018? E no século XXI devo eu fazer mesmo que sportinguista e sociais democratas me dizem…que eu benfiquista e socialista não me devo incomodar?!?!

Não me devo incomodar?!?!? Era o que faltava, no dia em que nos deixarmos de inquietar com estes tiques absolutamente ditatoriais, inquietamo-nos com o quê? Ou esta gente acha que Aristides de Sousa Mendes também não se devia ter incomodado? Ou que Mandela e Gandhi não deviam ter resistido?

Incomodo-me sim, sempre! e livre desses fanatismos clubisticos e partidários usarei todos os meios ao meu alcança para os denunciar, combater e acabar com eles! Quantas vezes não se derruba um muros apenas tirando um tijolo?

Inquieto-me sim, sempre! e livres espero que façam o mesmo, que vão tirando tijolos para derrubar os muros e que os aproveitam para construir pontes…pontes de oportunidades, de igualdade e liberdade de oportunidades para todos, mesmo que eles sejam sportinguistas ou a Ilina Fraga.

Até para a semana, com mais pontes e menos muros.

Pontes & Muros (8 de Janeiro)

Ano novo e novo ano são sempre sinónimos de novos desafios, ainda que alguns correspondam a velhos problemas para os quais as tradicionais soluções já não são resposta! Praticamente um ano depois da tomada de posse de Trump, as realidades alternativas e as “fake news” instalaram-se no mundo e no dia-a-dia de todos nós e são de tal maneira avassaladoras que demoramos a reagir e raramente agimos!

Talvez hoje seja possível entender em todo o seu alcance frases como aquela “de que para o mal triunfe, basta que as pessoas boas nada façam” e este é um dos desafios para 2018, motivar as gentes boas a participar, primeiro para desconstruir as realidades alternativas, que se assemelham muito a muros e segundo para denunciar as “fake news” com a verdade, com o trabalho, com rigor, competência, transparência e paixão.

O que se pede é às pessoas boas que assumam as paixões pelas suas causas, gentes e terras, que ocupem o lugar que lhes pertence e que afastem um certo “poder instalado” que se julga dono disto tudo, acreditando eu, como já vos disse diversas vezes, nos impactos globais das acções locais, 2018 pode e deve ser ano de mais pontes e menos, muito menos muros.

Mais pontes exigem de nós menos indignações instantâneas, mais procura de informação e mais rigor nas analises… é fácil hoje apontar o dedo aos dirigentes das ipss’s, como o foi na protecção civil apontar à ministra…é fácil perceber, hoje, que afinal de contas a ministra foi, e é, umas das menos responsáveis, será, amanhã fácil de perceber que os dirigentes de ipss’s e de outras associações e colectividades não são todos iguais!

E, sendo fácil sugere-se então mais exercício de raciocínio, menos seguidismo e achismo! o que de imediato resulta em mais, e melhores, soluções para os problemas e menos muros instalados!

Parece simples e é simples, pratiquem e verão (e sentirão) como é muito mais saudável viver, integrando, tolerando, participando, desconstruindo o mal e construindo o bem.

Em próximas crónicas estarei de volta, pelo menos, às inquietações de termos apenas dois comandantes de bombeiros suspeitos de más práticas durante os incêndios de junho! À justiça não basta ser justa, também tem de o parecer! E, também, de volta à selvajaria nas estradas portugueses que atingiram, novamente, recordes negativos de mortes e feridos graves… é que na condução não basta parecer, temos mesmo de ser prudentes!

A todos um excelente ano com muitas pontes e muito, muitos menos muros! Para a semana cá nos encontraremos…

Pontes & Muros (29 de Maio)

Fantástico.. “estar aqui é fantástico” foi a melhor descrição (na medida que é miserável) que Trump encontrou para classificar a sua visita ao Museu do Holocausto!
Fantástico é Portugal estar na moda, isso sim! 

Fantástico tem sido o ultimo ano para a moral dos portugueses e para a esperança num futuro, efectivamente, melhor.

Dia a dia renovamos e aumentamos a nossa capacidade de voltar a sonhar num mundo melhor, a começar pelo nosso mundo…aquele que vivemos todos os dias com a nossa gente nas nossas aldeias!

Uma visita ao Museu do Holocausto é tudo menos um momento fantástico!

Fantástico era o Grupo das sete economias mais desenvolvidas do mundo terem chegado a acordo sobre os Acordos de Paris e as medidas de combate e prevenção das alterações climáticas!

Fantástico era a boa onda de Portugal, incluindo a da Nazaré, contagiar o líder da maior (e eventualmente única) grande potência do mundo, com energia positiva.

Negar a história é apenas estupidez! Negar a ciência é burrice! Governar pelo Twitter é conduzir-nos à III Guerra Mundial…Merkel disse que a partir de ontem deixamos de contar com Estados Unidos! Não foi um muro que construiu…foi a maior ponte de desenvolvimento do mundo que começou a ser desmantelada…a paz! 

Fantástico era Trump não nos destruir os sonhos! Fantástico é trabalhar para um futuro sem puxar (ou empurrar) pessoas para aparecer na foto! 

Fantástico é aprendermos e evoluirmos! 

Pontes & Muros (15 de Maio)

Que dias estes…que semanas estas, que ano este!

Campeonato Europeu de Futebol, António Guterres Secretário Geral da Organização das Nações Unidas, Web Summit em Lisboa, Porto o melhor destino europeu de 2017, um Presidente da República cheio de afectos para dar, um Primeiro Ministro optimista compulsivo, Lisboa como uma das cidades mais cool do mundo, Portugal como um dos destinos mais seguros do planeta, dois novos santos (Jacinta e Francisco), um tetra campeão pela primeira vez na sua, dele, história, o deficit mais baixo da democracia, a economia a crescer, o desemprego a baixar e numa relação nem sempre obvia, o emprego a aumentar e… para terminar este breve resumo do ultimo ano…o Salvador Sobral canta, e encanta, em português e, imagine-se…com simplicidade e genuinidade… ganha!

Enchemos o Santuário de fé, tranquilidade, querer e crer!

Enchemos o Marquês de Pombal (mais umas dezenas de rotundas por esse mundo) de alegria espontânea de quem alcança um feito único para os vencedores do Campeonato, Tetra Campeonato.

Enchemos o Aeroporto Humberto Delgado de gente que faz da sua língua a nossa pátria.

Enchemos os nossos corações de orgulho, esperança e confiança!

Uma nação valente só o é porque somos gente valente, verdadeiros proprietários do três efes, que não são do antigo regime, muito menos representam um qualquer homem, eles são do povo, são nossos final.

Talvez o verdadeiro terceiro segredo de Fátima seja mesmo o do povo valente, que querendo é o mais maravilhoso de todos os povos do mundo, hoje como sempre, conquistadores…damos mundo ao mundo!

Mais palavras apenas serviriam para criar ruído na construção da melhor ponte que podemos construir: pessoas a acreditar em pessoas!

Nuno Mário Antão

NMA | ALPIARÇA

Pontes & Muros (21 novembro)

É cada vez mais difícil perceber o mundo, é cada vez mais difícil perceber as pessoas…na era do virtual a realidade é tão brutal que o mundo escolheu como expressão do ano a “pós verdade” à qual permito-me acrescentar outra: ”verificação dos factos”.

Nunca como hoje tivemos acesso a tanta informação, nunca como hoje foi tão fácil controlar o fluxo de “verdades” que chegam às pessoas.

Nunca como hoje tão poucos condicionaram tantos… durante tanto tempo, somos cada vez mais controlados e apercebendo-nos disso…nada fazemos, resignamo-nos e esperamos que seja um qualquer vizinho nosso a preocupar-se com as coisas.

Hoje é simples verificar os factos, confirmar a verdade, ver, ouvir, reflectir e formular opinião…mas sendo simples… é cada vez mais fácil deixarmos para os outros estes exercícios, resignados à velocidade do dia-a-dia não temos tempo para mais… mesmo não deixando de nos surpreender e desiludir com os resultados finais…uma vez, duas vezes, outra e mais outra vez…deixamos sempre para os outros a verificação dos factos, a formulação de opinião e o poder da decisão.

“pós-verdade” é um adjectivo que se aplica à circunstância em que os factos objectivos são menos importantes na formação da opinião pública do que os apelos do foro emocional”, entretemo-nos hoje tanto com as estórias que esquecemos a história…ouvir um português a defender a saída da Inglaterra da União Europeia porque é preciso travar a livre circulação de pessoas, ouvir um português a defender a construção de um muro para impedir a entrada de imigrantes no Estados Unidos…são provavelmente a melhor forma que encontro de definir a “pós-verdade” em que vivemos!

Estaria aquele português na Inglaterra se a livre circulação de cidadãos europeus não existisse? Estaria aquele português nos Estados Unidos se a política de imigração americana fosse fechar as portas? A verdade, pura, dura e cruel… é que não estavam, a verdade, pura, dura e cruel é que são emigrantes…que tiveram uma oportunidade que não querem dar aos outros!

Provavelmente, com todos os “pós-verdades”, “verificação de factos”, e “freios e contrapesos”, nunca Brecht teve tanta razão, ainda que com outro enquadramento histórico.

Primeiro levaram os negros

Mas não me importei com isso

Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários

Mas não me importei com isso

Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis

Mas não me importei com isso

Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados

Mas como tenho emprego

Também não me importei

Agora levam-me a mim

Mas já é tarde

Como eu não me importei com ninguém

Ninguém se importa comigo

Com ele termino…importando-me, inquietando-me!

Até para a semana com mais pontes e, menos, muros

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Pontes & Muros

Crónica desta semana…

Já depois de gravar um amigo sugeriu-me uma abordagem diferente e muito interessante, tanto que a partilho convosco.

“Gostei, acho que tinha mais impacto se desses o mote do tema com o exemplo de como seria a GNR se fosse gerida por uma associação. Imaginem quem… (o posto da GNR do seu concelho tem como presidente o Manuel do talho, a maioria dos militares são voluntários…) Não sei se me fiz entender…Fazer primeiro com que os ouvintes pensassem “isto seria impossível” e depois passar para a realidade dos bombeiros”