A minha relação com a morte…

A minha relação com a morte… é o único rancor que tenho na vida, não gosto da morte, aliais detesto-a, está permanentemente a levar-nos gente da nossa vida, já levou família (felizmente quase toda no tempo lógico), já levou família dos amigos logo família (e aqui já alguns fora de tempo), já levou algumas das referências cívicas, sociais e políticas e é tão estupida que ousou até levar filhos dos amigos… já levou amigos e amigas e é por eles e elas que detesto a morte, bruta, cruel, implacável, leva-nos os amigos e amigas de infância, da escola, do desporto, do associativismo, da política e leva-os no tempo completamente errado.

Não gosto destes momentos, não gosto de declarações pessoais sobre a morte, faço-o sempre obrigado por ela, a morte, e pelo respeito institucional que em alguns casos tive de ter! Estes são momentos de silêncio e reflexão sobre a vida, não gosto de declarações, mas hoje tinha de a fazer! Não gosto de ti morte, detesto-te! Hoje foste mais uma vez cruel e levaste mais um amigo!

Até sempre Nelson, da escola, ao andebol, da jota aos bombeiros, convergimos e divergimos, foram mais de trinta anos de amizade, construímos e destruímos sonhos, quisemos mudar o mundo e a nossa rua, sabes que mais? Aqui e ali fomos capazes!

Aquele abraço amigo, descansa em paz!

(lá em casa as perguntas eram sempre as mesmas: quem era o Monhê, as respostas eram igualmente sempre as mesmas, é o Cavalão. Qual Cavalão? O Nelson, Nelson Maia. Andamos anos nisto, eu e a minha mãe)

Anúncios