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Depois de assumir Pelouro, Francisco Naia em entrevista

“Este primeiro ano de mandato está a ser mais positivo que o último do BE” 

Depois de assumir, recentemente, o Pelouro do Empreendedorismo e do Desenvolvimento Regional, Francisco Naia, em entrevista exclusiva ao Expresso da Lezíria, faz um balanço do primeiro ano do mandato autárquico. A atribuição do pelouro, as contas do município, o desemprego e o futuro de Salvaterra de Magos em destaque.

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Expresso da Lezíria – Qual o balanço que faz sobre a atuação do primeiro ano de mandato dos órgãos eleitos no Município de Salvaterra de Magos?

Francisco Naia – Os actuais órgãos eleitos do Município de Salvaterra de Magos estão a cumprir um mandato de quatro anos, com um programa para o mesmo horizonte temporal, pelo que se torna por vezes arriscado fazer estes “balanços” intermédios.

Julgo que tem existido um esforço, um maior empenho do executivo em determinadas áreas, áreas estas com maior visibilidade e onde os actuais governantes tentaram passar a mensagem que o Concelho não iria continuar estagnado. No entanto, em muitas outras tem existido uma continuação do que já se vinha fazendo durante os mandatos do BE, tarefas essas, ou competências que por lei a Câmara tem de desempenhar, como sejam os apoios escolares.

Neste primeiro ano de mandato o executivo apostou “forte” na imagemdo concelho, tentou dinamizar alguns dos eventos que tradicionalmentejá se faziam como a Feira de Magos e o Mês da Enguia (julgo que este último com bastante sucesso e impacto junto do comércio local e dos artesãos), e tentou ainda dinamizar o evento ligado à Falcoaria Real, o qual, no meu entender, menos conseguido; foi um primeiro ano de mandato também caracterizado por um “arrumar de casa”, por uma tentativa de encontrar solução para alguns dossiers que vinham do anterior executivo, como sejam o Posto da GNR, a situação do protocolo do Complexo Desportivo Municipal de Marinhais, os terrenos envolvidos no negocio do edifico do Cais da Vala, e outros, situações para as quais o executivo sempre contou com a minha melhor colaboração. Uma das áreas onde julgo que o executivo menos apostou neste primeiro ano de mandato terá sido na promoção de medidas de apoio e captação de investimento, área esta onde os resultados são apenas visíveis no longo prazo mas crucial para o concelho. Dinamizar a Zona Industrial de Muge, estudar uma nova Zona Industrial ou Empresarial nos Foros de Salvaterra e adoptar uma postura pró activa nestas matérias pode significar o sucesso ou o insucesso nesta temática, e aqui o executivo começa só agora a dar os primeiros passos, com a criação do Gabinete de Apoio ao Investidor.

Quero aqui ainda destacar dois “momentos” neste primeiro ano de mandato, que foram o início das obras de requalificação do futuro Mercado da Cultura em Marinhais, e a resolução da questão dos terrenos para os futuros campos de futebol do Clube Desportivo Salvaterrense e do Forense.

Em jeito de nota final, e como é óbvio não concordando com tudo o que foi feito até agora, ou na forma como foi feito, posso com toda a certeza afirmar que este primeiro ano de mandato está a ser mais positivo que o último do BE.

EL – Ainda em termos de balanço, qual a sua opinião sobre a execução orçamental de 2014, uma vez que nos estamos a aproximar do final do ano?

FN – Este executivo “herdou” uma Câmara Municipal com umas contas “arrumadas”, com uma dívida baixa o que olhando um pouco para outras Câmaras é de salientar. Da informação que tenho disponível e depois da reunião que tive com o Sr. Presidente e com o Chefe da Divisão Financeira para a apresentação do orçamento para 2015, julgo que a execução orçamental se irá situar em níveis aceitáveis.

EL – Enquanto Vereador do Município de Salvaterra, julga existir preocupação no que toca à organização de conteúdos culturais direccionados para a juventude?

FN – Temos tido poucos fins-de-semana onde não existe uma exposição, lançamento de um livro ou outra iniciativa cultural da Câmara ou de associações que temos no nosso concelho. Tem sido prática deste executivo em algumas áreas não actuar directamente, mas antes através de apoios prestados a associações do concelho, o que eu concordo. Este apoio tem de passar a ser mais forte a quem no terreno faz efectivamente este trabalho, seja na cultura ou na prática desportiva. Os apoios prestados ainda este ano à quase totalidade das associações e colectividades do Concelho ainda não são muito diferentes daqueles que eram prestados pelos executivos do BE, e em alguns casos julgo que existem situações a serem revistas. É um assunto certamente a merecer a atenção do executivo, mas no futuro entendo que temos de apoiar mais, quem “apresenta” mais trabalho, quem tem mais atletas (clubes desportivos), quem no fundo no dia-a-dia desenvolve o trabalho de ajudar a educar as nossas crianças.

EL – Dado que o desemprego é um problema de difícil resolução, quer em termos nacionais, quer concelhios, qual a sua opinião sobre o papel do município no incentivo à fixação de grupos empresariais que ajudem a colmatar esta preocupante questão?

FN – O nosso concelho não é uma ilha, nem este problema do desemprego é apenas uma realidade de Salvaterra, no entanto e por culpa própria, por alguns erros que entendo terem sido cometidos no passado estamos hoje em termos económicos bastante atrasados relativamente a outros concelhos nossos vizinhos. Este executivo isentou de derrama as pequenas empresas (medida para a qual contou com o meu apoio), no entanto e conforme referi na sessão de Câmara em que os impostos locais foram discutidos, faltou dar um sinal firme para as outras empresas, e faltou ainda definir uma estratégia de como este problema vai ser “atacado”; quais as áreas de actividade económica e tipos de empresas que mais queremos apoiar, ou que queremos atrair para o concelho, foram questões que ficaram “mal” respondidas.

EL – Os munícipes queixam-se da falta de cuidados médicos. É a saúde uma área vulnerável no concelho?

FN – A falta de médicos é uma realidade em muitos concelhos e também no nosso. Também a distância a que está um médico disponível é um problema, que se agravou com o encerramento dos postos de saúde do Granho e de Muge. Têm sido tomadas algumas medidas para tentar incentivar os médicos a aqui se fixarem, como seja o apoio com a despesa da renda de casa. A realidade hoje é um pouco melhor com a vinda de alguns médicos estrangeiros, mas ainda está longe de ser a ideal. Também a falta de uma farmácia em Muge é uma preocupação ainda por resolver.

EL – Qual é a sua estratégia para o desenvolvimento das áreas que recentemente lhe foram atribuídas?

FN – O concelho de Salvaterra nas áreas económicas está, como já disse, atrasado relativamente a outros concelhos nossos vizinhos, basta olharmos à nossa volta e compararmos com Benavente. Apesar de estarmos hoje bem servidos de acessos, não temos conseguido atrair empresas a aqui se instalarem, nem temos neste momento terenos industriais para “oferecer”, a não ser o terreno de Muge comprado em 2009 que no entanto não está infraestruturado.

As Câmaras Municipais têm vindo a ser confrontadas com a questão de terem de disputar entre si projectos empresariais, e de terem elas mesmo um projecto de desenvolvimento económico para as suas regiões, projecto esse que nunca foi pensado para Salvaterra. Na realidade, apenas agora está a ser feito um estudo para se conhecer a fundo o nosso tecido empresarial (quantas empresas temos, distribuídas por áreas de actividade, número médio de colaboradores, etc.); só conhecendo bem a nossa realidade as nossas potencialidades, o que nos diferencia dos outros concelhos poderemos então definir uma estratégia.

Só com este trabalho prévio bem feito poderemos então definir as prioridades do Concelho poderemos então canalizar os investimentos para essas mesmas áreas (sejam a titulo de infra-estruturas, de apoios, ou outro tipo…). No entanto, e para o imediato, é crucial ouvir os empresários que já aqui estão instalados e tentar ajudá-los em alguns projectos que têm em carteira; vamos também dar uma ajuda que julgo ser importante na recolha e divulgação de informação relativa ao próximo quadro comunitário de apoio, e se for caso disso ajudar também nos processos de candidatura. Vamos no dia 11 Dezembro no auditório do Edifício do Cais da Vala ter a primeira iniciativa do género. Outras iniciativas e medidas serão divulgadas brevemente.

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