RR – Porque hoje é dia 9

Quando fui convidado pelo Rede Regional, convite que agradeço e espero corresponder, para escrever ao dia 9 de cada mês, procurei (para além do óbvio… ser o dia que faltava preencher) uma razão para ser o dia 9. Procurei uma, encontrei duas: a do número Observador e a de ser o número de fim de ciclo, depois do nove tudo se repete, é o fim das ilusões.

Observador por natureza das funções que tenho desempenhado, vou aproveitar este espaço para fechar ciclos, provocando debate, ou pelo menos tentando, sobre o estado a que isto chegou e para onde devemos caminhar. Provavelmente ambiciono a mais do que sou capaz, mas…

As “Capitais”… do Vinho, do Cavalo, do Melão e do Falcão…

Apostar no que nos torna diferentes é fundamental em qualquer estratégia de afirmação de um projeto político, e finalmente em Salvaterra de Magos a aposta foi diferenciadora.

Salvaterra de Magos – Capital Nacional da Falcoaria é a verdadeira afirmação do concelho na região, no país e no mundo.

A aposta na imagem do Tejo e da Lezíria (com cavalos e toiros) foi sempre errada porque não permitia nenhuma afirmação; Benavente, Chamusca, Cartaxo, Almeirim, Alpiarça, Chamusca, Golegã também as têm e exploram, e a nossa capacidade de atração só pode ser assertiva se nos colocar no patamar do único.

Agora precisamos é de explorar estratégias conjuntas de desenvolvimento turístico e cultural do concelho e da região, fora do (pré) estabelecido e por todos, com mais ou menos resistência, aceite!

Precisamos de romper com as ligações formais das Comunidades Intermunicipais, das CCDR’s e Entidades Regionais de Turismo… o Tejo tem de ser mais que um rio que passa por nós para chegar ao Atlântico, temos de deixar de ser o “e” de Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Ribatejo, Lezíria e Médio.

O Tejo tem de ser a nossa autoestrada de desenvolvimento turístico e cultural, de Lisboa a Mação, passando por Almada, Seixal, Moita, Montijo, Alcochete, Vila Franca, Azambuja, Benavente, Salvaterra de Magos, Cartaxo, Almeirim, Santarém, Alpiarça, Chamusca, Golegã, Vila Nova da Barquinha, Abrantes e Mação, aos quais, por via dos rios Sorraia, Almonda, Nabão e Zêzere, poderemos juntar Coruche, Torres Novas, Tomar e Ferreira do Zêzere.

São dezenas de atrações, tradições, costumes, histórias e «estórias» que podemos “vender” aos milhões de turistas que todos anos aterram em Lisboa, fartos de carros, autocarros, aviões e outros meios de transporte convencionais.

É altura destes municípios se juntarem, criarem equipas de excelência compostas por técnicos de turismo, de cultura, de marketing e comunicação.

Chegou o momento de juntar as autarquias às associações promotoras dos produtos da região e aos privados que exploram os mais diversos negócios associados ao turismo e à cultura.

Só uma estratégia comum permitirá, poupando, acrescentar valor à afirmação da nossa região na Europa e no Mundo.

Da excelência do vinho, azeite, arroz, tomates e melões, passando pelos cavalos, toiros e falcões, sem esquecer os presuntos, os pampilhos e as palhas, tudo se complementa como um único produto a vender – o Ribatejo!

Muitas outras valências há a explorar, mas, como a intenção é provocar e não maçar, por aqui me fico, fechando de seguida outro ciclo: o das oposições conservadoras, especialistas de alta qualidade em incidentes administrativos e jurídicos, que aliam a essa qualidade uma capacidade inacreditável de apresentarem propostas vazias ou cheias de coisa nenhuma.

O mundo mudou, as posições foram obrigadas a mudar, mas as oposições permanecem no século passado.

Vou provavelmente ser injusto com alguns dos protagonistas, mas não posso deixar de o ser porque há os que apenas contribuem para o desprestigio da função de eleito na oposição.

Motivou-me esta reflexão o recente “vai pró…” do Mário Pereira, e o “não confio em si” do Hélder Esménio; conhecendo muito melhor Salvaterra de Magos do que Alpiarça, encontro nestes dois desabafos sinais de saturação para com as conversas da treta das oposições, que tardam em perceber que a complexidade dos problemas com que as gestões municipais são confrontadas, para além de não terem soluções simples, ultrapassam e muito as questões do buraco na rua, do documento que chegou apenas com um dia de antecedência quando deviam ser dois, etc, etc, etc & tal.

Todos fomos formatados na era do betão, do alcatrão e das obras, quanto maiores melhor, mas já não vivemos esses tempos.

A maioria dos problemas de hoje são os do dia a dia das pessoas, o desemprego, a fome, a incapacidade de responder aos anseios dos filhos, às expectativas dos avós e aos seus próprios sonhos.

Deixem-se de incidentes, acrescentem valor, concentrem-se nas soluções e… de repente, até vão perceber que isso dá votos!!!

Digo-o com a experiência de quem esteve 16 anos na oposição e hoje se ri do ridículo em que caí muitas vezes!​
Nuno Mário Antão
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