Opinião publicada, opinião contraditada.

É preciso coragem, reconheço isso, para afirmar que é bela a vida no concelho de Salvaterra de Magos. Lamento, com toda a sinceridade, lamento profundamente ter de o dizer…mas não é bela a vida no concelho de Salvaterra de Magos.

Vem isto a propósito de um artigo de opinião de um deputado municipal eleito pelo Bloco de Esquerda publicado num órgão de comunicação social regional.

Reconhecida a coragem, identifico vários “erros” de raciocínio: (a) desvalorização de um estudo académico, que bem vistas as coisas apenas concentra um conjunto de dados estatísticos reais sem interpretações políticas; (b) “compara” o concelho de Salvaterra de Magos não aos melhores concelhos do distrito mas “aos piores”; (c) confunde vitalidade económica com estabilidade financeira.

Feita a análise do escrito…vamos a isto…com exemplos práticos de como não é bela a vida no concelho de Salvaterra de Magos!
(ao mesmo tempo tentarei identificar os “culpados” e algum caminho para o futuro)

1. Vitalidade económica…se um jovem (ou menos jovem) empreendedor quiser dar corpo a um projecto, tem primeiro o problema de acesso ao crédito (culpa do poder central, Europa, mercados, bancos, etc & tal), mas…admitindo que vence essa barreira, que condições tem no concelho? Há instalações para iniciar projecto? Não, não há! Espaços para servir de incubadoras/nichos de empresas não passam de realidade virtual, apesar de haver muitos espaços públicos disponíveis para tal, celeiros, escolas, centros de interpretação, etc & tal. Se uma empresa pretender deslocalizar a sua actividade (como por exemplo a Base Logística do Intermarché ou a Monliz – Produtos Alimentares do Mondego e Liz SA) começa por encontrar resistências só para ser recebido por quem gere a autarquia, mas… admitindo que vence essa barreira, que condições há no concelho?

A vitalidade económica elogiada tem apenas por base, um nível de endividamento razoável e directamente proporcional aos investimentos realizados. O que castra as gerações vindouras é não termos escolas em condições (já lá vamos), não termos infra-estruturas desportivas e culturais devidamente distribuídas pelo território, não termos instrumentos de gestão do território actualizados e preparados para um desenvolvimento económico e social sustentável e justo e como referido anteriormente, não haver condições para a fixação de investimento, para o desenvolvimento de projectos inovadores e de valor acrescentado.

2. Não é bela a vida num concelho onde crianças estudam nas melhores condições do mundo, outras em escolas com 70 anos e outras ainda em contentores (por muito que se insista em trata-los por monoblocos climatizados não passam de contentores), provavelmente os 15 a 0 dados a Santarém e ao Cartaxo transformam-se rapidamente num 15 a 150 se a comparação for o parque escolar, sim porque há dívida (chama-se investimento)que é saudável e geradora de igualdade de oportunidades, que desenvolvem competências e valor. 15 a 150 que se mantém nas infra-estruturas desportivas e culturais. E apenas utilizo a mesma comparação, porque podia usar com exemplo comparativo, Almeirim, Coruche, Benavente, Vila Nova da Barquinha, Constância ou Valkenswaard, sim essa bela localidade na Holanda que têm como nós um palácio da falcoaria, uma aposta no turismo e na cultura têm de ter está “peça rara” no mundo como alavanca para tudo o resto. Duas sugestões rápidas e uma mais trabalhosa…atualizar toda a informação disponível na net sobre a Falcoaria em Salvaterra de Magos, vide Wikipedia…não esquecer a celebração da elevação a Património Cultural Intangível da Humanidade, UNESCO 16 de Novembro de 2010…tal e qual o Cartaxo é a Capital do Vinho, Almeirim da Sopa da Pedra, Coruche da Cortiça, Salvaterra de Magos pode ser a Capital do Falcão, e potenciar com as devidas comparações a marca, como se faz na Golegã em relação ao Cavalo. Claro está que é preciso articular com o Complexo Mesolítico de Muge, o Escaroupim, a Albufeira de Magos, a Glória do Mundo, o arroz, o tomate e a enguia só para dar alguns exemplos do que podemos potenciar e “vender ao mundo” usando a navegabilidade do Tejo, de cá até Lisboa (são milhões e milhões os que todos os anos a visitam).

3. Não pode ser a vida bela num concelho onde mais de metade da sua população não têm médico de família, certo e sabido que a “culpa” começa em Cavaco/Leonor Beleza, passa por dezenas de governantes, também socialistas, e acaba em Paulo Macedo. Mas também certo e sabido que só é derrotado quem desiste de lutar, mas há correntes impossíveis de contrariar e provavelmente o melhor mesmo é nadar para a margem, ganhar perspectiva e pensar não no ideal, mas sim no possível. E aqui podia este trágico estado de coisas ser diferentes, Posto de Saúde Móvel, Rede de Transportes Públicos de Acesso aos Cuidados de Saúde, prevenção primária, ocupação activa do tempo, combate à solidão, uma efectiva Rede Social de apoio aos mais desprotegidos, podemos não ter o poder de colocar médicos nos diversos postos médicos do concelho, mas a montante e a jusante temos competência para fazer muito mais, muito mais…

Três pontos de ordem completamente irrelevante, que podiam ser 15, 16…20, tantos são os déficits estruturais no concelho de Salvaterra de Magos, com responsabilidades nacionais do PS, PSD e CDS…e locais do PS e BE!

O que nos castra o futuro e a esperança é a resignação, é encerramos as questões na “culpa” e na responsabilidade deste ou daquele e prontos está feito! O passado não o conseguimos alterar mas o futuro podemos começar a construir hoje!

Nuno Mário Antão
Galhota Street, Marinhais

Tudo isto podia ter sido feito nos últimos 15 anos? Poder, podia…mas não foi feito!

Tudo isto pode ser feito nos próximos 15 anos? Não sei…mas podemos e devemos tentar!

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